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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Declaração de Privacidade

Leu mesmo? Concordou mesmo?

Declaro para os devidos fins que sou dono da minha individualidade, logo dono da minha vida privada.

Podia levar esse texto por esse caminho fazendo uma declaração real sobre o meu direito a privacidade, mas acho que o buraco é um pouco mais embaixo. Pelo menos pra mim.
É difícil pra nós entendermos o peso do botão aqui em cima e isso não tem nada a ver com legislações e cláusulas de contrato abusivas. O peso desse botão se mostra, principalmente nas redes sociais ~oh, again~ nas quais você abre mão da sua privacidade e se expõe quase que totalmente. E a própria programação das redes levam a isso e cada vez a gente gosta mais.
Tenho visto em algumas rodas esse papo de que a privacidade morreu e me assusta ver que isso seja verdade. A cultura do espetáculo estaria, então, nos jogando numa falácia de que quanto mais nos expomos mais nos tornamos vivos e presentes. 
Parafraseando Déscartes: "Apareço, logo existo."
E isso é tão crítico que vemos todo mundo jogando a vida privada pela janela. Ou melhor, na cara de todo mundo. E isso não é mimimi de retrógrado anti-redes sociais. Só não compreendo esse lance de superexposição. É quase como se todo mundo aspirasse estar na Caras secretamente e a qualquer instante jogasse essa vontade na Timeline. E eu não compreendo esse mundo que eu vivo.
Eu sinto falta dos segredos. Sou um romântico e me falta o cochicho, a boa notícia contada no corredor do shopping. Hoje ninguém mais precisa encontrar um amigo para ouvir a fofoca quentinha ou a notícia alegre. Basta dar um pulo no perfil e com algumas roladas de página a gente consegue saber até a ascensão  ou depressão do amigo e dar aquela força pra ele: "Curtir"
Ver as nossas vidas expostas deixou de ser invasão de privacidade. Concordamos com isso, e até "curtimos", "compartilhamos" e "retweetamos". Até quando vamos fingir que não vemos que queremos isso?

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