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Leu mesmo? Concordou mesmo? |
Declaro para os devidos fins que sou dono da minha individualidade, logo dono da minha vida privada.
Podia levar esse texto por esse caminho fazendo uma declaração real sobre o meu direito a privacidade, mas acho que o buraco é um pouco mais embaixo. Pelo menos pra mim.
É difícil pra nós entendermos o peso do botão aqui em cima e isso não tem nada a ver com legislações e cláusulas de contrato abusivas. O peso desse botão se mostra, principalmente nas redes sociais ~oh, again~ nas quais você abre mão da sua privacidade e se expõe quase que totalmente. E a própria programação das redes levam a isso e cada vez a gente gosta mais.
Tenho visto em algumas rodas esse papo de que a privacidade morreu e me assusta ver que isso seja verdade. A cultura do espetáculo estaria, então, nos jogando numa falácia de que quanto mais nos expomos mais nos tornamos vivos e presentes.
Parafraseando Déscartes: "Apareço, logo existo."
E isso é tão crítico que vemos todo mundo jogando a vida privada pela janela. Ou melhor, na cara de todo mundo. E isso não é mimimi de retrógrado anti-redes sociais. Só não compreendo esse lance de superexposição. É quase como se todo mundo aspirasse estar na Caras secretamente e a qualquer instante jogasse essa vontade na Timeline. E eu não compreendo esse mundo que eu vivo.
Eu sinto falta dos segredos. Sou um romântico e me falta o cochicho, a boa notícia contada no corredor do shopping. Hoje ninguém mais precisa encontrar um amigo para ouvir a fofoca quentinha ou a notícia alegre. Basta dar um pulo no perfil e com algumas roladas de página a gente consegue saber até a ascensão ou depressão do amigo e dar aquela força pra ele: "Curtir"
Ver as nossas vidas expostas deixou de ser invasão de privacidade. Concordamos com isso, e até "curtimos", "compartilhamos" e "retweetamos". Até quando vamos fingir que não vemos que queremos isso?
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